quinta-feira, 7 de maio de 2009

Desculpe Lya, vou-me embora com Manuel.

Quarta-feira, dia 18 de março. A semana já está quase no fim, mas só agora consegui dar uma olhada na Veja atual, que já está quase se tornando antiga. Domingo tem revista nova cheia de todas aquelas novidades que eu já conheço de cor e salteado.Bom....o entrevistado das páginas amarelas desta edição é o arcebispo de Olinda e Recife dom José Cardoso Sobrinho, aquele que excomungou no dia 04 deste mês a mãe, os médicos e outros envolvidos no aborto legal feito por uma menina de 9 anos estuprada pelo padastro. Nem vou falar muito disso, acho que todos estão cansados de saber.Quase não consegui chegar ao final da entrevista, tamanha foi minha indignação (opinião pessoal) com declarações feitas á repórter Juliana Linhares.
Segue trecho:
“Se o senhor ficasse frente a frente com a menina, o que diria a ela?
Eu diria: o que aconteceu já passou. Daqui para a frente, procure praticar a religião com os meninos da sua idade, ir para a igreja e aprender o catecismo. Seria tão bom se as criancinhas fossem como antigamente, quando nem tinham uso da razão mas já sabiam rezar o Pai-Nosso e a Ave-Maria.
Se encontrasse o padrasto que a violentou, o que diria a ele?
Eu iria procurar convertê-lo. Iria perguntar se reconhece que errou e se está arrependido. Eu não sei onde ele está, se está preso, sei lá. Mas, se tivesse a oportunidade de visitá-lo, diria a ele que pedisse perdão a Deus. Iria ajudá-lo a fazer uma oração pedindo perdão.”
(Revista Veja; edição 2104;Juliana Linhares)


Lembrei-me na hora de um artigo da escritora Lya Luft publicado na mesma revista no dia 04/07/2007 que levava o título: “Não vou pra Pasárgada”. (vale á pena conferir: http://veja.abril.com.br/index.shtml)

Desculpe Lya! Acho que vou pra Pasárgada com Manuel.“Pasárgada para quem não se recorda, é um reino feliz inventado por Manuel, o Bandeira; para quem não sabe, ele foi um poeta maravilhoso.”, palavras de Lya que tomo como minhas, por concordar em gênero, número e grau com a também professora universitária.
Vou-me embora pra Pasárgada.
Quero fugir desta confusão. Lugar onde tudo é previamente conceituado, cheio de atitudes rudes, olhares superficiais, pessoas de má fé, instituições fracassadas, crenças ultrapassadas e interesseiras, relacionamentos de fachada, desta gente quer não se respeita. (tenho quase certeza de que eu não sou daqui.... grande Renato!). Aqui não existe lealdade, fidelidade partidária nem para com o próximo, respeito, consideração, dignidade... não existe decoro.Deixo apenas meu corpo, pois tenho inúmeras responsabilidades sociais: trabalho, faculdade, contas a pagar, candidatos á escolher, satisfações á dar. Levo somente meu coração, pois ele precisa de descanso, precisa ver como viver é bom. Não é a vida como está, e sim as coisas como são.
Vou-me embora, afinal,

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
Preciso respirar ar puro, sem poluição e falsidade, sem esse mau cheiro de coisa arranjada, de cargo comprado, conta cheia de dinheiro e suor do outro. Preciso limpar os olhos... ver coisa bonitas, deixar de fazer parte dessa sociedade bitolada em novela das 18:00,19:00, 20:00...

Preciso refrescar os ouvidos, escutar algo bacana...um poema de Drumonnd, uma música de Noel Rosa, um texto de Machado de Assis.
Preciso passar uma tarde em Itapuã...Com um velho calção de banho
Um dia prá vadiar
O mar que não tem tamanho
E um arco-íris no ar...
Vou mesmo embora para Pasárgada.

Vou-me junto com Manuel...
Lá somos amigo do rei
Lá temos a mulher que eu quisermos
Na cama que escolhermos
Vou-me embora pra Pasárgada.

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