segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Salve!


Hoje tô aqui pra mandar um salve.... ou melhor, alguns “salves”.

Um salve para meu amigo Lulinha, que se empenha de maneira ADMIRÁVEL em costurar o apoio do PMDB à candidatura de Dilma Rousseff, se utilizando de meios lícitos e inquestionáveis para fortalecer esses laços de pura amizade e totalmente desprovidos de interesses pessoais.

Falando nisso.... um salve para ela, Dilma Rousseff.

Um salve também para Michel Temer presidente da Câmara e presidente licenciado do PMDB, que diante do empasse aliança PT e PMDB (Bahia e Pará) teve uma idéia fantástica, também denominada solução conciliatória: que no Pará e na Bahia sejam montados dois palanques para Dilma, um do PMDB, outro do PT.
Viva!

Um salve para José Sarney, merecedor de toda a nossa confiança... afirmação essa baseada em fatos que nem preciso citar novamente aqui. Todo mundo já conhece a história de cabo á rabo... rabo este, preso.

Salve para o Dado Dolabela... peça muitíssimo importante para a história do país, justificativa mais do que suficiente para o fato de ele ter tomado preciosos minutos e linhas na mídia nos últimos dias.

Salve para Belchior... que voltou e acabou com a diversão da mídia, nesse jogo de caça ao....sabe-se lá.

Um salve todo especial para Palocci, que depois de tanto disse-que-me-disse, viu o Supremo nada dizer e nem decidir sobre o episódio do caseiro Francenildo e da quebra de sigilo. Disse “todo especial” por que vem acompanhado de sinceros votos de boa sorte (se é que homens público e tão “publicados” como ele precisam disso) para as eleições de 2011.

Um salve pá.... pô....Salve!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Azeda; Lima; Lina; Doce; Dia; Dilma


A Ministra.
A Secretária.
Muito bafafá.

No mundo da política, que sem nenhum trocadilho é cheio de politicagem, ganha a cada dia um novo escândalo para sua lista. Desta vez as personagens são só palavras. A palavra de uma contra a palavra de outra. Sem agenda, data, prova ou testemunha (pelo menos nenhuma apresentada oficialmente, apesar de uma das partes alegar firmemente que ela exista).

Segundo a ex-secretária da Receita Federal (que passou a ser EX recentemente), a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff teria lhe pedido indiretamente que encerrasse logo o processo de investigação que a Receita realizava nas empresas da família Sarney, o que fazia muito sentido, levando em consideração a importância do apoio do presidente do Senado para as eleições de 2010. Dilma negou.

Agora vamos aos “disse-que-me-disse”.

Ainda com as cortinas levantadas, a ex-secretária continuou firme em suas declarações e disse ter testemunhas do ocorrido, que classificou como incabível e sobre o qual fez relatos que tentaram ser convincentes. "Cheguei no quarto andar do palácio, não tinha ninguém me recebendo. Veio a Erenice Guerra [secretária-executiva da Casa Civil], fui para sala onde estavam duas pessoas e ali fiquei aguardando. Eu não perguntei o nome dessas pessoas. Tomei uma água, um café. Não demorou muito. Dali eu saí e fui para a sala da ministra conduzida pela Erenice. Nós conversamos amenidades. Como foi muito rápido, eu não me lembro dos móveis, ela só me fez esse pedido. Foi simpática", afirmou á Folha on-line.

Tempos depois (muito pouco tempo por sinal) Lina disse que não sentiu qualquer pressão no pedido de Dilma Inácio... opa...digo Dilma Rousseff. Afirmou ter entendido a solicitação como a vontade da ministra em dar um andamento célere, resolver as pendências e encerrar a fiscalização.... coisa que soou um tanto quanto contraditória quando contextualizada, já que logo após “dar com a língua nos dentes” ou como ela mesma prefere afirmar “cumprir o seu papel” (um pouco atrasada não?!) Lina não quis fazer ligações entre o pedido de Dilma e as eleições no Legislativo com a conotação de que o objetivo do governo seria beneficiar Sarney. Em declaração à Folha alegou não se lembrar do dia do encontro e se defendeu em relação à omissão do ocorrido ao ministro Guido Mantega (Fazenda). "Eu não comentei. Eu saí da Receita Federal e disse à minha chefe de gabinete que estava indo à Casa Civil", palavras de Lina.

E quanto á Dilma? Ah... a mestre e doutora, que não interferiu na venda da Varig e não tem nada a ver com o dossiê referente ás despesas de gabinete de Fernando Henrique Cardoso em 2008 produzido e divulgado pela Casa Civil, parece ter a consciência límpida como as águas do meia ponte (tema para outra postagem). Provavelmente deve-se á isso o fato de ela quase não se envolver em nenhum escândalo e a postura tomada por ela no caso da acusação atual, onde ministra mudou a versão dos fatos na última declaração dada aos jornalistas.

Jornalistas! A culpa é deles, que não interpretam declarações, confundem fatos, ignoram denúncias e repassam com total irresponsabilidade e escassez de informações os acontecimentos aos cidadãos. Que os microfones sejam dados aos futuros comunicadores... sem diploma. Neste caso bem que poderíamos eleger para repórter o Mercadante (PT-SP)... ou quem sabe Tasso Jereissati (PSDB-CE). A notícia exalaria imparcialidade.

Em um primeiro momento Dilma negou o encontro e consequentemente o pedido, o que colocou a declaração de Lina em letras garrafais na mídia. Dias depois, o contato teria acontecido, mas o tema Sarney e afins não estariam na pauta.

Pronto, o embate havia começado.
Façamos nossas apostas.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Troca-se por.

Para a maioria, a solução para a atual crise do Senado (que de atual tem somente nosso olhos, que um dia desses decidiram enxergar a situação que se arrasta á tempos) é mesmo a renuncia de Sarney. O problema é encontrar alguém para comandar a Casa e é claro colocar ordem no terreiro.

Os pré-requisitos são muito improváveis em um único cidadão que escolheu a política como profissão, ou passatempo, ou seja lá o que isto representar (ceticismo á parte). O fato é que um candidato suficientemente ético está escasso atualmente. Procura-se o oposto do então dono do pedaço José Sarney, que alegou que a crise pertence ao Senado e não á ele. Mesmo porque as denúncias afetam filhos, netos, noras, genros e afins.

O que dificulta as coisas é o fato da necessidade de alguém imparcial, disposto a cumprimentar de igual forma aliados e oposição... se é que existe alguém que esteja sempre dentro da mesma classificação. Não é fácil ser bem visto, ou pelo menos suportado e não denunciado por algum dos partidos e seus diferentes interesses, PSDB, DEM, PT e PMDB.

Um nome que transita pelos corredores e bocas (boas ou más) entre a classe política é o de Francisco Dornelles, do PP. O senador traz ao longo de sua história cargos importantes e pasmem...nenhum escândalo....pelo menos nenhum da proporção atual.

Nos resta esperar para ver se a cadeira azul comporta outro tipo de político...ou outro tipo de política. Que seja!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

E lá ia ela, ela ia.

Ela sempre precisou de um pouco de atenção. Se fazia de forte... mas guardava cada olhar atravessado, cada palavra desentonada...tudo, absolutamente!

Acordava, comia torradas e tomava café... café preto e forte. Aquele que tem um cheiro invasor, quase impositor. Comia apática, sem pensar em nada... apenas comia ouvindo o barulho daquele pão seco se desfazer entre os dentes.
Levantava da mesa, saia de casa... era o primeiro contato com a rua...ainda vazia, ainda com cheiro de chuva, aquele cheiro bom, úmido, calmo. As pessoas apressadas pareciam não notar que ela estava ali.
Passos rápidos, fone nos ouvidos... o samba de Pixinguinha parecia levá-la para outro lugar...um lugar bom onde não havia saudade, solidão, indiferença. Não amava ninguém... mas ouvindo a melodia sentia vontade de alguém especial, uma história que um dia também poderia ser cantada. Na verdade não estava mais ali entre carros e ruas... pensava coisas de outra terra, outro pensamento...parecia de outra pessoa.

E lá ia ela, ela ia. Aquela menina... aparentava assim, com seu tênis batido, calça ganhada há 2 natais passados, cabelo preso com uma fivela antiga, mas preferida entre todas as outras que abarrotavam a caixa de papelão pequena onde eram guardados os adereços quase nunca usados...não era muito vaidosa. As mangas cumpridas barravam o vento frio (aquele que aparece mesmo nas manhãs de verão), impediam o sopro até o braço... braço fino, pulso com aparência de fraco, impedia também a exposição da cicatriz que ganhara nas férias...detestava aquela marca que acendia a curiosidade de todos que a viam...não aguentava repetir a mesma história. Aposta entre primos, ladeira abaixo, buraco no caminho, rosto no chão, pontos no cotovelo, 7.

Trabalhava o dia todo, e no final dele apresava-se, queria chegar na hora para opinar questionar, aprender, aproveitar aquela pessoa parada ali e que já tinha opinado, questionado, aprendido, aproveitado muito. Ia aprender a ser gente ou pelo menos tentar entender toda essa gente que geme, gesticula, acusa, se deleita, aceita.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Vou não vou?!

Sim, eu tenho uma conta no Orkut.
Mas a cada dia que passa me envergonho mais um pouquinho de fazer parte desta classe detestável, descartável, cafona e fútil. Ufa! Pronto... falei.

Uma pessoa que troca companhia, boa música dividida, brinde á vida, discussões sobre os mistérios da mente humana ou sobre qualquer outro assunto totalmente desimportante mesclado de pausas recheadas de significados, pele, olho no olho ou simplesmente silêncio a dois, três, quatro.... por um passeio de carro virtual, cócegas, arco-íris ou um incrível “Vou não vou” pode ser classificada como o que? Tento, tento... mas não consigo encontrar outros adjetivos diferentes destes aí em cima.

Eis que vivemos em um país onde existe liberdade de expressão, onde cada um se expressa da maneira que considera correta ou no mínimo cômoda... mas como em qualquer outro país, território ínfimo, tribo, vilarejo ou aglomerado com um número superior a 2 pessoas e que num futuro formarão um sociedade minimamente organizada, precisamos de pessoas intelectualmente ativas...e quanto mais, melhor. Talvez por isso algumas vozes defendam tão fortemente a idéia do investimento nos jovens... futuras mentes pensantes. Mentes pensantes estas que ultimamente gastam suas tardes distribuindo e recebendo “abraços de urso”?!

Não que eu seja o intelecto em pessoa... longe disso. Muito longe. O que me irrita é o indivíduo não se esforçar, informar, interessar, integrar aos acontecimentos. Ler Veríssimo, Prata... ouvir Vinícius, Pixinguinha...coisa boa! Conhecer autores de esquerda, direita, sem opinião, ainda em análise... formar opinião própria...gastar o tempo com coisas influenciáveis...que fazem ou farão diferença até mesmo na vida daquele amigo virtual tão adorado e essencial para a continuação da vida.

Ainda tenho um pouco de fé na humanidade, na idéia de sociedade, no indivíduo como uma folha em branco que pode ser moldado pelas pessoas de bem e que pode se transformar em um jovem livre de obrigações tão desnecessárias, sem o comprometimento de mostrar pro mundo o quanto é bem relacionado, bem sucedido, indispensável para este ou aquele... para isto ou aquilo.

Li na Super Interessante deste mês (quase mês passado... já tem uma nova nas bancas) uma matéria sobre Susan Barry, uma neurologista que enxergava tudo em 2D. Fiquei pensando enquanto jogava minhas idéias aqui...quantas pessoas enxergam apenas o que querem da maneira como querem?

A Susan educou o olhar, aos poucos as coisas foram ganhando espessura.Em todos os lugares há idiotas... idiotas que se recusam a abrir os olhos, aprender a olhar e enxergar...deixar que aos poucos as coisas ganhem sentido.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A "canoinha" de Bernardes.

Henrique Dias Bernardes, na terceira fila à direita, no casamento da filha de Agaciel.

Henrique Dias Bernardes é personagem de um fato pouco comum no Brasil: a contratação de familiares ou pessoas próximas para cargos públicos. O que eu não entendi é porque a mídia e as pessoas se indignaram tanto. O natural não seria pensar como o próprio Henrique, que em declaração afirmou ser bom para o Senado ter um funcionário como ele? Também.. pudera! Uma pessoa que trabalha oito horas diárias e não demonstra constrangimento com a divulgação dos áudios da Polícia Federal que indicariam o envolvimento de Sarney na contratação, deve ter a consciência leve como uma pluma e merece todo o nosso respeito. Afinal, é um trabalhador como outro qualquer... e “faz seu trabalho direitinho” (palavras do médico Paulo Ramalho, diretor da SAMS)

"Todos os parlamentares têm direito a cargos comissionados. São para pessoas de confiança. Não tenho parentesco com ninguém. Nem de terceiro grau. Não há ato ilícito nenhum", disse em entrevista à Folha Online. 

Dias afirma que não vê ilegalidade na interferência de Sarney em sua entrada (que aconteceu por ato SECRETO) na Casa Legislativa, onde foi nomeado para um cargo na Diretoria Geral, e logo depois transferido para a área administrativa no serviço médico do Senado. Trabalha na direção da SAMS (Secretaria de Assistência Médica e Social do Senado). 

O currículo do moço faz bonito, formado em física e pós-graduado em contabilidade e economia na UNB (Universidade de Brasília), Dias tem uma carta na manga quando afirma que é gabaritado para função... o que não envolve caráter e ética profissional, é claro.

A coisa que já estava “preta” para o lado do presidente do Senado anda um pouco mais cinza por causa da descoberta. Sarney teria negociado a contratação do genro (ah...por uma feliz coincidência Henrique namora a neta do peemedebista. Será que para ela também é bom ter um namorado como ele?)

Dias pode sentir-se confortável, já que não estará sozinho quando a canoa virar...

A canoa virou, quem deixou ela virar, foi por causa do Sarney...que não soube diferenciar o Senado de seu pomposo Maranhão.

Bom ...mas voltando á canoinha de Bernardes...com ele se arriscam também os 218 funcionários identificados pela comissão que foi criada por Sarney para analisar a anulação dos atos secretos. A expectativa... EU DISSE EXPECTATIVA (não nos animemos!) é de que eles sejam exonerados em até 20 dias, quando termina o prazo para que a comissão conclua os trabalhos.

Pessoas próximas á Bernardes alegam que o namoro chegou ao fim. No entanto ele ainda tem chances de entrar para a família...se as acusações foram verdadeiras, Henrique terá sido realmente aceito na família dos políticos injustiçados, da qual Sarney faz parte á tempos.